Livro

Resenha: O menino do pijama listrado, de John Boyne

18:47:00

O menino do pijama listrado, de John Boyne, foi lançado pela Editora Cia. das Letras/Seguinte no ano de 2007 e conta com 192 páginas.
Sinopse:  Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus.Também não faz idéia de queseu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos de que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e, para além dela, centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com um frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai.

Sempre acreditei que as crianças são os seres mais incríveis do mundo. A inocência do coração de uma criança é o sentimento mais puro que existe. Em "O menino do pijama listrado", essa inocência é tão bem explorada que dói. Ver o modo íntegro que uma criança enxerga o mundo toca do início ao fim. É uma leitura que abrange um tema pesado - o nazismo -, mas por ser contada sob a perspectiva da infância de um garoto como Bruno, nos mostra que devemos amar e respeitar como as crianças.

A construção da narrativa nos faz embarcar junto com Bruno: um garoto de 9 anos que é obrigado a sair de sua maravilhosa e grande casa na Bélgica com sua família (sua irmã mais velha, sua mãe e seu pai), para ir morar em um local totalmente isolado. Bruno sempre questiona à família quando eles irão voltar para casa, mas a resposta nunca é satisfatória: o emprego de seu pai é mais importante.

Cansado de não ter com quem brincar, Bruno parte por uma jornada de "explorar" o local em que vive, mas nunca ultrapassa a cerca que o separa das "pessoas de pijama": recebeu, desde o dia que chegou, ordens claras para nunca sequer se aproximar daquela cerca. Mas seu instinto aventureiro faz com que ele busque pelo desconhecido, com uma coragem admirável.

Tudo muda quando Bruno conhece Shmuel; eles, então, protagonizam as cenas mais tocantes do livro. A amizade pura e verdadeira que cresce entre ambos é inexplicável: é querer estarem próximos e amar um ao outro sem esperar nada em troca - o que mostra o quanto perdemos quando crescemos. Mostra que, apesar dos tempos difíceis, devemos enxergar tudo como uma criança enxerga: vendo o lado bom, procurar o bem onde quer que ele esteja.

O laço de amizade que cresce entre ambos nos faz esquecer da gravidade do ambiente em que eles se encontram. Mas, apesar da amizade e do amor serem sentimentos que ultrapassam barreiras, Bruno e Shmuel encontram uma maneira de estarem perto para sempre. O final é tocante e inesperado, e com certeza vai te arrancar lágrimas (a não ser que você tenha uma pedrinha de gelo no lugar do coração).

As tragédias e fatalidades causadas pelo nazismo são parte da nossa história e mostram como o ser humano pode ser egoísta e individual. Sempre achamos que nossas crenças são as corretas e todos os outros estão errados. O holocausto tinha os mesmos motivos: as crenças dos judeus estavam equivocadas, e nessa "brincadeira", quase 7 milhões de pessoas morreram SÓ por sua crença - crianças, homens e mulheres.

O livro nos faz pensar do início ao fim o quanto o ser humano pode ser egoísta e individual, e como o amor e compaixão presentes no coração de uma criança são capazes de mudar tudo. A leitura é emocionante, e é inevitável tirar milhares de lições neste livro.

“Então o cômodo ficou escuro e de alguma maneira, apesar do caos se que surgiu, Bruno percebeu que ainda estava segurando a mão de Shmuel entre as suas, e nada no mundo o teria convencido a soltá-la”.
Nota:


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8 comentários

  1. Ainda não li o livro, mais quero muito ler!! Vi o filme e me emocionei muito. Realmente essa inocência das crianças é muito explorada no filme e no livro (como vc disse) e nos faz pensar no que estamos transformando nossas crianças, nosso mundo. Amei sua resenha foi muito bem elaborada, Beijao
    www.maesvaidosas.com.br

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  2. Tenho esse livro, mas ainda não o li e nem vi o filme. Acho que o único livro que li que fala um pouco sobre a guerra foi A Menina que roubava livros. Não sei acho uma época interessante, mas ao mesmo tempo tão sofrida que não sei se tenho psicologico para histórias assim, mas fiquei curiosa pela história de amizade criada pelos dois.

    Blog Profano Feminino

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  3. Eu demorei para ler esse livro... ficona minha estante durente alguns meses. Esse livro é uma delicinha mesmo a enredo da história ser bem pesada.


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  4. Já assisti ao filme, me emocionei muito e acho que o mesmo aconteceria no livro. Adorei sua resenha e as fotos!

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  5. Ta aí mais um clássico que eu ainda tenho que ler. (Tem muita coisa meu deus! Não sei o que fazer!)
    Muito boa sua resenha, deu aquela vontadezinha gostosa de ler.

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  6. Eu sempre quis ler esse livro, está na minha wishlist a um bom tempo. Quero ler o livro antes de assistir a adaptação feita para o cinema.
    Amei a sua resenha, super bem escrita.
    Beijo, www.apenasleiteepimenta.com.br

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  7. Este é claramente um dos meus livros favoritos de sempre já o devo ter lido umas 5 vezes acreditas? a amizade Entre eles os dois é absolutamente ternurenta e o livro é um verdadeiro murro no estômago ao retratar de forma tão sublime um dos momentos mais trágicos da nossa história.
    Vânia
    Lolly Taste

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  8. Oi,
    Assisti ao filme no começo do mês e acho que nunca chorei tanto, rs
    Imagino que o livro deva ser ainda mais intenso. Não sei se estou preparada kkkk
    Oi,
    Esse livro está na minha lista de leitura já faz um tempo. Quero ler antes de assistir ao filme, rs
    Adorei sua resenha e me deixou com mais vontade ainda de ler.

    Parabéns pelo blog.
    www.sobrecadamomento.com.br

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